Seis anos depois, heróis abandonados
Quando o World Trade Center desabou, naquele 11 de setembro de 2001, muitos saíram correndo em busca de um lugar seguro. Muitos correram para ajudar policiais e bombeiros a encontrar vivos sob os escombros.
Durante meses, voluntários trabalharam arduamente para que tudo voltasse à normalidade o mais rápido possível. Seis anos depois, essas pessoas convivem diariamente com sintomas causados pela fumaça que cobriu o céu de Nova Iorque naquele dia e nos subseqüentes.
Abandonados por um governo que afirma que estas pessoas não são de sua responsabilidade (porque não estavam na folha de pagamento), os voluntários tentam receber sua parcela dos 50 milhões de dólares que foram colocados à disposição dos voluntários. Mas a burocracia faz com que muitos tenham seu pedido recusado. Uma, duas, três vezes.
Reggie Cervantes foi uma técnica de emergência médica voluntária que trabalhou nos escombros. Passou dias respirando a fumaça, até ter suas vias respiratórias queimadas. Por conta da dificuldade para respirar, teve de abandonar o emprego e gastar as suas economias para levar os filhos para fora da cidade.
William Maher é membro voluntário dos bombeiros. Trabalhou no salvamento durante meses recuperando corpos (ou parte deles), o que passou a perturbar seu sono. Tinha pesadelos que o faziam ranger os dentes. Foram tantos anos que a parte da frente já está praticamente sem condições de reparação.
O caso mais grave é de John Graham, paramédico voluntário. Estava em Manhattan quando aconteceu o atentado e correu para ajudar. Ficou lá por dois anos e meio. Teve hérnia no disco e problemas respiratórios. Precisou de transplante de pulmões. Hoje, dorme sentado em uma cadeira com um cobertor. Deitado, não consegue respirar.
Enquanto isso, terroristas da Al-Qaeda recebem tratamento médico moderno em uma prisão na Estação Naval dos Estados Unidos, localizada na Baía de Guantánamo, em Cuba. Possuem a seu dispor equipamentos de vanguarda. Consultas médicas são feitas três vezes por semana e até sua alimentação é controlada.
Seis anos depois, a elite da Al-Qaeda é tratada com o melhor atendimento médico possível, pago pelo governo americano. Enquanto isso, heróis americanos são abandonados a própria sorte.
Seis anos depois da imagem das torres gêmeas desabando ter chocado o mundo, americanos levam uma vida normal tentando esquecer do medo de um novo ataque anunciado. Enquanto isso, pessoas que se dispuseram a ajudar diante da tragédia são ignoradas.
Seis anos depois, o descaso do governo americano virou tema do filme Sicko, do polêmico diretor Michael Moore. É ele que relata com precisão de detalhes toda luta do povo americano por uma saúde melhor, já que não existe um sistema de saúde gratuito para o povo americano. Os heróis do 11 de setembro são apenas uma parcela dos 40 milhões de americanos sem um plano de saúde privado.
Seis anos depois , o que ficou é um país com medo, cidadãos mortos, uma nação estarrecida e heróis abandonados.
Dani Machado
Ps.: Acompanhe o trailer do filme Sicko.
- O futuro repetindo o passado. « Blog Matheus Felipe ping retornado em 2 years ago
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